Por Júnior Almeida/Esporte Automotor

No início da década de 1970 o mercado automotivo estava passando por mudanças radicais tomando novas diretrizes, o seguimento de automóveis de luxo não ficava atrás e projetos ultrapassados como Simca Chambord e Aero Willys que resistia nas mãos da Ford já não transmitia modernidade e requinte como na década anterior, o mesmo se encaixava para o Alfa Romeo 2150 que já se mostrava obsoleto frente aos jovens concorrentes como Chevrolet Opala, Dodge Dart e Ford Landau.

 

Com a aposentadoria do 2150 em 1972 a Alfa Romeo se concentrou em um projeto totalmente inovador e exclusivo para nosso mercado, baseado no último lançamento da marca na Europa a Alfetta serviu de inspiração para o brasileiríssimo 2.300 que seria apresentado em 1974.

Seguindo o caminho já traçado pelo 2000 JK e 2150 a inovação tecnológica e mecânica marcaria a estreia do 2300 como o automóvel de maior tecnologia empregada produzido em solo nacional.  Começando pela motorização, vinha equipado com motor de 2.300 cm³ que desenvolvia 140 cv uma evolução do bloco que equipava a serie 2150, o titulo de modernidade ficou garantido pelas inovações mecânicas como válvulas de escapamento refrigeradas à, freios a disco nas quatro rodas, câmaras de combustão hemisféricas e eixo de manivelas apoiado em cinco mancais, freios a disco nas quatro rodas e cambio manual de cinco marchas soluções adotadas apenas em modelos importados.

Sempre preocupada com a segurança, a Alfa Romeo deu uma atenção especial às zonas de deformação em caso de colisão dianteira ou traseira, as partes se comprimiam em colisões, absorvendo o impacto em vez de transmitir e por em risco a segurança dos ocupantes, sua grande rigidez à torção e a coluna de direção com duas juntas universais que não comprimiam o motorista em caso de impacto o que mostrava preocupação em proteger seus ocupantes.

O design seguia a receita europeia, predominado pelo design retilíneo, que garantia ampla área envidraçada e a traseira alta se mostrava imponente garantindo um visual extremamente europeu como marca registrada. Na dianteira, a nova identidade visual da marca estava presente nos quatro faróis circulares que contrastavam com a ampla grade preta, dividida apenas pelo cuore da marca. A preocupação com a inovação no projeto estava refletida inclusive nas lanternas traseiras onde possuíam a seção em cor âmbar para as luzes de direção, o que só seria item obrigatório dez anos depois, além do cinto de segurança de três pontas para quatro passageiros, inovação para a época.

O interior era um charme a parte, começando pelo painel completo como em seus antecessores, os mostradores continuavam redondos com velocímetro, luzes-espia, amplo conta giros além de um convidativo volante de alumínio com acabamento em madeira que seduzia o motorista a dirigir um verdadeiro esportivo.

Nos primeiros anos de produção do 2300, ele era comercializado em versão única e seus opcionais eram apenas ar condicionado e console central onde vinham o rádio e relógio. Diferentemente dos principais concorrentes que tinham bancos inteiriços, a Alfa tinha bancos individuais reclináveis com acabamento em courvin, completando o luxuoso interior.

Como era bastante exclusivo ter um Alfa Romeo, a marca tomava o cuidado de adotar um contraste entre a pintura externa e a tonalidade da cabine, quando a cor externa era escura o interior era em tom creme, já quando as cores eram mais claras como branco ou prata, o interior era preto.

A primeira mudança na linha veio em 1977 quando o 2300 passou a ser comercializado em duas novas versões e novos acabamentos. A Alfa 2300 TI recebia aprimoramentos mecânicos para oferecer um maior desempenho com tocada esportiva, boa parte do ganho de potência de 9CV veio dos carburadores italianos Solex 40 ADDHE 12 duplos que garantiam uma ótima performance levando o TI aos 175 Km/h.

No interior um novo painel ainda mais completo, tomou formas retangulares, com novos mostradores como manômetro de óleo, voltímetro e luzes-piloto um novo acabamento interno com tecidos nobres e bancos mais confortáveis foram adotados para demonstrar o nível superior perante as outras versões tornando-se a top de linha na gama. A velocidade máxima do Alfa 2300 TI era de 175 Km/h e aceleração 0-100Km/h de 10,8 segundos.

Já externamente, as novidades foram sucintas com para-choques pintados em preto fosco, lanternas dianteiras embutidas, dois frisos de cada lado na grade dianteira e o tradicional  trevo de quatro folhas o “quadrifoglio” nas colunas traseiras, este símbolo somente era usado nos modelos topo de linha, que ofereciam tamanha exclusividade.

Com a compra da Alfa Romeo pela Fiat em 1978, a fabricação do modelo saiu da antiga fabrica da FNM em Xérem para a fabrica da Fiat em Betim, Minas Gerais e gradativamente a produção se estabilizou  e com instalações mais modernas foi possível corrigir alguns defeitos do modelo, melhorando o isolamento acústico e a proteção contra corrosão, mas o preço continuava nas alturas em março de 1981 a versão TI-4 era comercializado por Cr$ 1,417 milhão ficando apenas a baixo do Landau que era vendido por Cr$ 1,547 milhão só para nível de comparação era possível comprar 5 Volkswagen Fusca com o preço de uma Alfa.

Com o fim da produção do Landau em 1982, a Alfa TI-4 passou a ser o automóvel mais caro comercializado por aqui com a deixa do luxuoso modelo da Ford, a Fiat aproveitou para incrementar ainda mais os itens de série inexistentes em qualquer outro carro nacional como acionamento elétrico para os vidros das quatro portas, trava central elétrica comandada pelas portas dianteiras, retrovisores elétricos com comandos localizados na porta do motorista, abertura elétrica para o porta-malas e para o bocal de abastecimento com comandos no painel, relógio digital no teto, iluminação com temporizador, novas rodas com calotas de plástico e novo aplique com o trevo de quatro folhas nas colunas traseiras. Porém, com o preço da Alfa Romeo, era possível levar dois Chevrolet Opala Comodoro para casa.

O ultimo suspiro do 2300 veio em 1985, quando a Fiat percebeu que o publico alvo do sedan estava migrando para os novos lançamentos como Volkswagen Santana CD, Ford Del Rey e Chevrolet Diplomata que estavam abocanhando boa parte da clientela da marca.

A solução foi tentar incorporar as ultimas tendências da época, o TI-4 agora era a única versão disponível e ganhou para-choques mais envolventes com polainas de plástico, nova grade dianteira com perfis horizontais, novos faróis foram adotados agora sem molduras, para isso foi adotado também um novo cuore dianteiro e emblema maior além de novas lanternas traseiras maiores que trouxeram um ar mais carregado ao modelo, mas sem perder o charme que contou também novas cores para a carroceria, no interior as mudanças foram pontuais com  novas forrações dos bancos e um novo volante com o emblema da marca colorido.

O ano de 1986 marcou o fim de 35 anos de produção dos automóveis Alfa Romeo no Brasil, com a baixa comercialização do TI-4 com cerca de 260 unidades naquele ano a marca se despediu do mercado e só voltaria no inicio dos anos 90 com uma ampla gama de veículos atualizados,  sem deixar a tradição da marca para trás que evoca o verdadeiro prazer em guiar um automóvel.

Um agradecimento especial aos amigos do site alfafnm.com por disponibilizarem seu acervo digital para este ilustre apaixonado pela Alfa Romeo poder contar um pouco da história destes belos modelos.

Galeria

Fotos | Arquivo Pessoal e divulgação

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